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CEO da Daimler: Covid-19 não deve abrandar luta pela redução das emissões automóveis

Se a pandemia de Covid-19 está a causar fortes constrangimentos na indústria automóvel, o CEO da Daimler, Ola Källenius, também vê neste momento a confirmação do valor da liberdade de movimentos, algo que foi subtraído a uma larga de cidadãos na Europa ao longo das últimas semanas. Reconhece, por isso, o valor do automóvel, mas o homem-forte da Daimler, detentora da Mercedes-Benz, explica, também, que estas dificuldades não devem servir para abandonar a política de redução nas emissões poluentes a nível global.

Num texto publicado no jornal alemão Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung a 19 de abril (partilhado depois no Linkedin da Daimler), Källenius começa por reconhecer a importância fundamental da liberdade de movimentos e a sua associação ao automóvel, algo que, por exemplo, também é defendido há muito pelo seu congénere do Grupo PSA, o português Carlos Tavares.

“Desde há algumas semanas, temos experienciado como a nossa vida social, cultural e económica tem sido restringida. Essas medidas são temporariamente essenciais – e permanentemente reveladoras. Uma conclusão deste tempo em que o mundo está parado é de que a mobilidade individual é e vai continuar a ser um bem valioso. Um veículo é mais do que um espaço protegido. Dá-nos a independência de nos deslocarmos do ponto A ao B de maneira decidida em qualquer momento”, escreveu, destacando ainda a importância daqueles que podem ainda fazê-lo para prestar auxílio aos outros ou levar bens essenciais aos supermercados.

Lembrando que “na Mercedes-Benz, a mobilidade individual é o objetivo do nosso trabalho e o legado dos nossos fundadores”, como tal, de defesa obrigatória no futuro, Ola Källenius observa ainda que a sua companhia está a investir forte em duas áreas decisivas: a descarbonização e a digitalização, sendo que o sucesso na primeira “irá determinar o futuro de muitas companhias; e o sucesso na descarbonização irá determinar o futuro do nosso futuro”.

A marca de Estugarda pretende ter uma frota automóvel de emissões de CO2 neutras em 2039, acelerando por isso a sua aposta na eletrificação. “No final deste ano, o nosso portefólio de carros irá incluir cinco modelos 100% elétricos e mais de 20 híbridos plug-in. A eletrificação do nosso portefólio de veículos é um dos pontos essenciais e vamos continuar a seguir em frente, enquanto uma grande parte das nossas fábricas e escritórios estão encerrados devido ao coronavírus”. A aposta da marca está também na descarbonização da sua cadeia de fornecimento, através de um plano de produção para a infraestrutura de Sindelfingen a que deu o nome ‘Factory 56’, que terá, desde logo, energia ‘verde’ para todas as áreas de funcionamento.

“Defendemos os objetivos de CO2 que foram estabelecidos. A luta contra a pandemia não deve ser uma desculpa na luta contra as alterações climáticas”.

A necessidade de acompanhar aquelas tendências faz com que, segundo Källenius, a Daimler “se esteja a transformar fundamentalmente, o que requer determinação e um sentido de proporção”.

Não passar do ponto de não retorno

Por outro lado, observando os efeitos da paragem da sociedade no período de pandemia, o CEO da Daimler indica que os países devem “evitar passar o ‘ponto de não retorno’, mesmo que as pessoas ainda não sintam os sintomas mais severos das mudanças climáticas hoje. Ao mesmo tempo, a atual crise mostra que não só precisamos de medidas efetivas, mas também que as pessoas as implementem. Ambas são cruciais. É por isso que acordos multilaterais como o Acordo de Paris são importantes. A nossa missão aqui é a mobilidade neutra em CO2 através da inovação”.

O sueco, que sucedeu ao carismático Dieter Zetsche na frente da Daimler e da Mercedes-Benz, reconhece o peso severo no lado financeiro de acomodar tamanha mudança na indústria automóvel, mas considera que há uma mensagem importante a reter: “Defendemos os objetivos de CO2 que foram estabelecidos. A luta contra a pandemia não deve ser uma desculpa na luta contra as alterações climáticas”.

“Sim, os recursos financeiros são correntemente mais escassos do que nunca. E sim, a descarbonização vai custar imenso dinheiro, numa fase inicial. Mas estamos firmemente convencidos de que irá compensar a longo prazo”, esclarece, considerando ainda fundamentais os benefícios dos ‘Green Bonds’ [NDR: subsídios financeiros que têm por base a prestação ‘verde’ das empresas] para a perseguição dos objetivos ambientais da Daimler.

No final, aponta que apenas em conjunto se poderão superar as dificuldades e os desafios, quer os presentes relacionados com o coronavírus, quer os do futuro, sobretudo no que toca às alterações climáticas.

Fonte: Motor 24

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