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Salão de Frankfurt morreu. Genebra para lá caminha

Os salões dedicados ao automóvel são cada vez menos interessantes para as marcas. Frankfurt prometeu reinventar-se e (até) vai mudar de sítio. Genebra “sobrevive”, mas já há muitas faltas confirmadas.

A próxima edição do Salão de Frankfurt, a realizar em 2021, não terá lugar em… Frankfurt. O certame alemão, que aí se realiza desde 1951, vai deixar a “capital alemã do automóvel” e mudar de morada. O novo local está a ser submetido a um processo de selecção, havendo três cidades candidatas a acolher o evento que se realiza bianualmente, alternando com o Salão de Paris. Berlim, Hamburgo e Munique são as finalistas da corrida aberta pela organização da feira germânica, a Verband der Automobilindustrie (VDA), associação que reúne os fabricantes de automóveis da Alemanha.

Assumidamente insatisfeita com os resultados da edição de 2019, a VDA tratou de reagir, informando que a próxima edição do famoso Salão de Frankfurt (IAA, na sigla em alemão) iria mudar de conceito e poderia mesmo mudar de cidade, o que se veio a confirmar. Frankfurt candidatou-se ao IAA 2021, mas não passou à fase final, tendo o mesmo acontecido com outras urbes alemãs, como Colónia (sede europeia da Ford), Hanôver e Estugarda (sede da Porsche e da Mercedes).

Depois de, no ano passado, o grandioso Salão de Frankfurt – até há bem pouco tempo, o maior da Europa e um dos mais importantes a nível mundial – se ter visto “encolhido” pela ausência de mais de duas dezenas de fabricantes, a VDA procura agora remar contra a maré, partindo para a renovação do conceito numa nova localização.

Os seus filhos brincam na rua?

Espera-se que a escolha final seja anunciada em breve, desconhendo-se de momento qual será a favorita. Até porque todas as finalistas têm trunfos: Berlim é tão só a capital da Alemanha; Hamburgo é conhecida por ser a porta da Alemanha para o mundo, graças à sua relevância enquanto cidade portuária; e Munique terá a vantagem de ser a sede da BMW, além de capital da Baviera.

Enquanto isso, a próxima edição do Salão de Genebra, de 5 a 15 de Março, já entrou em contagem decrescente com um crescente número de ausências. A lista de faltas na 90.ª edição do certame suíço vai engrossando, em linha com o fraco número de participantes no último Salão de Frankfurt.

A Lamborghini já disse que não vai à Palexpo, a Volvo mantém-se fiel à sua estratégia de organizar eventos próprios, enquanto Jaguar e Land Rover prosseguem na política de contenção de custos. No Grupo PSA, a nova directiva é que só marquem presença em salões as insígnias que têm novidades para apresentar. Em resultado disso, a DS irá até à Suíça, mas Opel, Peugeot e Citroën não. Já da parte da Fiat Chrysler Automobiles são mais as presenças que as ausências. Alfa Romeo, Fiat e Jeep têm stand garantido, Abarth e Maserati não. As norte-americanas Ford e Chevrolet também faltam, o mesmo sucedendo às japonesas Nissan e Subaru. A Mini tomou a mesma decisão.

Tudo leva a crer que a evolução que a indústria automóvel tem protagonizado não se compadece daquilo que era, até agora, tradicional. Tradicionalmente, os construtores tinham nos certames o palco privilegiado para apresentarem as suas principais novidades, mas essa opção é cada vez mais preterida em prol de alternativas com custos inferiores e um retorno superior.

Fonte: Observador

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